domingo, 8 de maio de 2011

Criação de Arraias de Água Doce

falkneri


henlei

hystrix

leopoldi

motoro marble

motoro

ocellata

orbignyi

reticulatus

sp. pearl

tigrina

boesemani


macho


fêmea

É muito inoportuno o fato de as arraias nativas do Brasil serem mais amplamente reproduzidas no exterior, mas estou aqui para fazer uma postagem direcionada a quem se interessar pela criação e reprodução de arraias. Em aquários elas precisam de 600l de água para um casal (podendo variar para mais ou para menos, dependendo do tamanho da espécie em questão). No caso da criação comunitária, o ideal são tanques com grande litragem por exemplo, de aproximadamente 5000 litros (dependendo do tamanho da criação pretendida) de 3m X 2m X 0,80m (comprimento X largura X altura) com filtros tipo barrica, cânister para lagos ou um tipo de "sump" externo (muito usado por caber muito material filtrante) com vazão equivalente a 3 vezes a litragem do tanque. Podendo ou não haver substrato ou alguma decoração no tanque, os animais parecem se adaptar bem, porém o uso de substrato apropriado (que não fira as guelras dos animais) e decorações seguras, que promovam alguma sombra não será prejudicial, sempre cuidando para manter grande área livre para a natação. Luz solar direta pode se benéfica, auxiliando na manutenção da temperatura do tanque, mas caso o período de luz seja muito longo deve ser oferecida uma área de sombra para os animais e o cuidado com algum possível surto de algas deve ser mantido em mente.
Existem dois esquemas básicos de reprodução:
Um deles consiste na separação dos animais por gênero. Esse processo ocorre da seguinte maneira: em um um tanque ficam os machos e no outro as fêmeas com a litragem de 400 a 500l para cada peixe. Então uma fêmea é selecionada e colocada no tanque dos machos (pode ser colocada algum tipo de marcação como uma fita na cauda da fêmea para facilitar uma posterior identificação) e posteriormente retirada após o acasalamento e colocada em um tanque individual até o momento do parto (de 600 a 1000L, dependendo do tamanho do animal). A fim de evitar choques de parâmetros, nesse sistema é comumente utilizado um único tanque com uma divisória entre machos e fêmeas, ou tanques separados, porém comunicantes. Uma possível desvantagem desse esquema é que, por vezes, a fêmea não se mostra receptiva, e pode demorar até acasalar com algum macho, ou pode mesmo não acasalar com nenhum, e nesses casos, se ficar muito tempo num tanque perseguida por vários machos, pode sofrer muito devido ao estresse.
Outro esquema consiste em manter animais de ambos os sexos no mesmo tanque seguindo basicamente os mesmos cuidados do esquema anterior. Nesse esquema também corre - se o risco de que machos, na época de reprodução, estressem as fêmeas. Caso isso ocorra é recomendado separar a fêmea e tentar reintroduzí - la novamente depois de recuperada. Caso uma fêmea em particular continue sendo importunada após repetidas reintroduções, o ideal é removê - la do grupo, ou atentar para o caso de o macho ser muito agressivo durante a reprodução. Para evitar isso, recomenda - se manter 1 macho para cada 2 a 4 fêmeas no tanque. Após identificada, a fêmea prenhe deve ser removida para que conclua a gestação em um tanque individual.
Em ambos os esquemas, criadores tem opiniões divergentes sobre deixar a arraia realizar toda a gestação em um tanque individual, ou apenas as últimas semanas, o que de fato não é de majoritária importância.
Ainda relativo aos dois esquemas, alguns criadores usam a saída de água dos filtros do tanque para simular chuva por alguns momentos e estimular a reprodução.
TPA's devem ser de 25% a 50% por semana, com cuidado para evitar grandes diferenças de parâmetros entre a água do tanque e a água de reposição.
FICHA:

Litragem mínima: 700l (pode variar devido a espécie, ou o tamanho dos espécimes).
Temperatura: 27ºC. - 29°C
PH 6,0 - 7,5 (pode variar de acordo com a espécie)
Alimentação: peixes vivos, filé de peixe, moluscos, crustáceos, minhocas e ração.
Reprodução: já citada.
Tamanho: podem variar entre 35cm e 120cm de diâmetro de acordo com a espécie e gênero.
Comportamento: pacífico, predador. Machos podem importunar fêmeas durante época reprodutiva.
Peculiaridades: não gostam de iluminação muita direta (embora se acostumem sem maiores problemas).
Evite manuseá-los sem luvas GROSSAS, pois possuem um ferrão grande, farpado, afiado, e venenoso na cauda, não é letal, mas é INCRIVELMENTE dolorido. Para tratar uma ferroada lave-a com sabão e água em abundância, na hora e vá a um hospital. Para pegá-las sem maiores acidentes use redes apropriadas, que não firam a pele do animal e mantenham suas mãos a uma distância segura do peixe. Mas evite sempre que possível, pois pode fazer com que o animal se estresse. Manuseie apenas quando necessário.
Por serem peixes de fundo, o tanque não precisa ser alto, 80cm é mais que suficiente.
É importante que o tanque possua grande espaço livre para a natação.
São peixes muito sensíveis aos parâmetros da água (principalmente amônia, cloro, nitrito e alterações de PH). Além de serem muito suscetíveis a problemas de saúde causados por estresse.  
Quando se faz uma criação, ás vezes pode ser necessário entrar no tanque, para pegar algum peixe, ou fazer algum tipo de manutenção. Para isso use sempre botas de borracha compridas (que cubram toda a panturrilha 'batata da perna'), e tanto as botas, como as roupas devem ser higienizados antes de entrar no tanque.